10. CULTURA 27.3.13

1. CINEMA - A FALNCIA DOS MAGOS DOS EFEITOS ESPECIAIS
2. LIVROS - NA CAMA COM KENNEDY
3. LIVROS - Um outro olhar sobre o mensalo
4. EM CARTAZ  TEATRO - O MAIS RENTVEL E O MAIS CARO
5. EM CARTAZ  LIVROS - RETRATOS DO MOMENTO
6. EM CARTAZ  SHOW - UM FESTIVAL COM IDENTIDADE
7. EM CARTAZ  TEATRO - AS FALSAS RUGAS DE MAIT
8. EM CARTAZ  AGENDA - LUIZ/SAMUEL/POLARIDADES
9. EM CARTAZ  CINEMA - A VIDA  UM TEATRO
10. ARTES VISUAIS  NARRATIVA PERTURBADORA
11. ARTES VISUAIS  ROTEIROS - CIRCUITOS NO MUNDO

1. CINEMA - A FALNCIA DOS MAGOS DOS EFEITOS ESPECIAIS
Os truques cinematogrficos impulsionam os filmes americanos de sucesso, mas as empresas que os fazem esto em crise. Isso pode mudar a face de Hollywood
Ivan Claudio

MAR REVOLTO - Cena de "As Aventuras de Pi" (acima) e a parafernlia usada para simular uma tempestade no oceano: a empresa Rhythm & Hues, responsvel pelo efeito, fechou as portas

 difcil no sair do cinema maravilhado com o visual do filme As Aventuras de Pi, especialmente sabendo que grande parte desse fascnio se deve ao uso criativo dos efeitos especiais. Essa  uma das razes de o longa-metragem ganhador de quatro Oscar j ter faturado US$ 600 milhes ao redor do mundo. No entanto, a empresa Rhythm & Hues, que criou tempestades ocenicas, seres fantsticos e o inacreditvel tigre digital que divide o barco com um garoto, acaba de pedir concordata na Justia. Antes dela, outras trs empresas hollywoodianas encerraram suas atividades ou foram vendidas para outros pases. No momento em que as conquistas da computao grfica se firmam como um dos recursos mais usados na indstria do cinema, esse segmento da grande fbrica de entretenimento entra em crise.
 
 a falncia dos magos dos efeitos especiais. 
A explicao para esse cenrio tem razes precisas. A primeira delas  que criar paisagens imaginrias ou seres inexistentes por meio de ferramentas grficas demanda horas e horas diante de um computador, sem falar das somas investidas em pesquisa e experimentao. Ou seja:  uma atividade cara. Ela est inflacionando o oramento de blockbusters, o que implica estratgia de marketing mais agressiva. Isso, por sua vez, encarece mais ainda a produo, numa espiral de gastos. Como a maioria das empresas digitais  independente  apenas prestam servios para as majors , a soluo encontrada por Hollywood foi tentar barrar tais custos incentivando a concorrncia entre elas. Outra sada foi obrig-las a abrir filiais em pases onde a produo de filmes recebe subsdios estatais  o Canad, por exemplo, oferece incentivos para obras filmadas na cidade de Vancouver. Endividadas, as empresas no conseguem manter os compromissos.

TREM FANTASMA - A estao parisiense de "A Inveno de Hugo Cabret" (abaixo) foi criada com uso do fundo verde. Crdito para a empresa Matte World Digital, que faliu em agosto de 2012

Efeitos especiais existem h tempo no cinema, mas o seu aperfeioamento e uso frequente, a ponto de determinar o sucesso de uma produo,  bem mais recente. Eles no so utilizados apenas em filmes de ao: mesmo biografias como Lincoln ou dramas de guerra como A Hora mais Escura valem-se de truques. Em muitas cenas, o ex-presidente americano vivido por Daniel Day-Lewis atua diante de uma parede verde, mais tarde preenchida com cenrios. Na sequncia da invaso da residncia de Osama Bin Laden no filme de Kathryn Bigelow, veem-se os famosos helicpteros Black Hawk. Mas eles no foram usados nas filmagens, so digitalizados. A importncia dos efeitos na atrao de pblico tem um termmetro infalvel, a relao dos filmes mais vistos no mundo: os 20 primeiros usam e abusam desses recursos e no teriam sido possveis sem essa grande magia.  o caso de Avatar, o mais assistido da histria, com renda de US$ 2,7 bilhes. Seu diretor, James Cameron, s conseguiu levar o projeto adiante depois da existncia da tcnica motion capture, quando se grava um movimento por meio de pontos luminosos no corpo de um ator e, com isso, se criam personagens virtuais  caso dos seres azuis do planeta Pandora. Surpreendentemente,  o prprio Cameron quem diz: Trabalhar com efeitos especiais  um pssimo negcio.

Cameron  calejado no assunto: ele era um dos scios da Digital Domain, que declarou falncia aps um calote de US$ 35 milhes. E aqui no se fala de uma grife qualquer: a DDMG tinha trs Oscar, dados aos filmes Titanic, O Curioso Caso de Benjamin Button e Amor Alm da Vida. Ela foi comprada por um consrcio envolvendo estdios da China e da ndia. A globalizao do cinema  justamente a outra ponta da crise enfrentada pelos magos hollywoodianos. Para atrair produes, pases asiticos e do Leste Europeu oferecem facilidades para as produtoras americanas e, na ambio de conquistar mercados e know-how, juntam no pacote a mo de obra mais barata. Foi diante desse cenrio que a crise do setor mostrou a sua cara na mais recente entrega do Oscar: enquanto o vencedor do prmio, por As Aventuras de Pi, tinha o discurso interrompido pela trilha sonora de Tubaro, fora do teatro cerca de 500 tcnicos de efeitos especiais protestavam contra as demisses, salrios atrasados e falncias de suas firmas. Esse mau momento no  percebido nos filmes, que continuam visualmente impecveis. Mas, ao que tudo indica, no futuro os blockbusters hollywoodianos podero no vir mais com o carimbo made in USA.


2. LIVROS - NA CAMA COM KENNEDY
Aos 69 anos, Mimi Alford, que na juventude foi estagiria na Casa Branca, conta nos moldes de literatura ertica a sua relao com o ex-presidente dos EUA
Antonio Carlos Prado e Ivan Claudio

 SEM ROMANTISMO - Kennedy e sua amante Mimi: quando ela foi embora, uma semana antes  do assassinato do presidente, ele a presenteou com broches e colares

Mimi Alford  uma senhora americana de 69 anos e sete netos. Acaba de lanar o seu primeiro livro no qual se l em um de seus trechos: Notei que ele se aproximava cada vez mais. Podia sentir a sua respirao no meu pescoo (...) 
Ele estava bem na minha frente (...) colocou suas mos nos meus ombros e me guiou em direo  beira da cama. Lentamente, desabotoou a parte de cima de meu vestido (...) ele pressentiu que era a minha primeira vez (...). A escrita segue por esse caminho, e d para o leitor imaginar por onde vai e para onde vai. H, no entanto, uma dobra no lenol da histria que pe a nu o motivo do sucesso que o livro vem fazendo junto ao pblico e  crtica de todos os EUA. Mimi no  uma autora que descobriu, somente agora, septuagenria, o seu talento para a fico ertica, nem se trata de uma velhinha assanhada. Ela  o arquivo, em primeira pessoa, daquilo que at recentemente era o mais enterrado segredo de alcova do ex-presidente americano John Kennedy, assassinado em 1963 aos 46 anos. Durante 18 meses ela foi amante do presidente, e na maioria das vezes ele se relacionou sexualmente com ela, durante o dia, sob os lenis que na noite anterior dividira com a ento primeira-dama Jackie Kennedy. Detalhe da obra: o presidente nunca beijou na boca.

NA CASA BRANCA - Kennedy despacha com sua equipe de imprensa, da qual Mimi ( dir.) fazia parte:  estresse curado com natao e amantes na piscina da sede do governo
 
O livro se chama Era uma Vez um Segredo  Meu Caso com o Presidente John F. Kennedy (no Brasil, editora Objetiva). 
Mimi conta que tinha 19 anos e era virgem quando se relacionou pela primeira vez com o chefe de Estado que publicamente apontava msseis para a Baa dos Porcos e secretamente disparava seus hormnios pela Casa Branca  e dizia a seus assessores ela dorme feito um beb, enquanto traava planos blicos ou de paz. Nessa poca Mimi acabara de ser contratada como estagiria do Departamento de Assessoria de Imprensa da sede do governo, era inexperiente profissional e sexualmente e, no quesito beleza, no chegava aos ps de outra famosa amante do presidente, a atriz Marilyn Monroe. Mas a Casa Branca tem l os seus mistrios, vai saber, tem sua qumica prpria, e o certo  que Kennedy olhou para ela e da por diante, quase todos os dias, caiu na piscina da ala residencial para relaxar. Era ele cair, e a assessora foca caa tambm. O primeiro mergulho comeou assim: o assessor especial para assuntos de alcova, que, segundo a autora, se chamava Dave Powers, disse-lhe uma tarde ao p do ouvido: O presidente vai  piscina. Aceita lhe fazer companhia? Sim, Mimi aceitou, era o seu quarto dia de trabalho. Nos vestirios, um detalhe chamou-lhe a ateno: a coleo de mais dos mais diversos tamanhos, o que a fez concluir que, no s na poltica mas tambm nas dimenses das mulheres, o presidente era sim democrata.

ESTADO E ALCOVA - Mimi revela no livro que o presidente apontava msseis para a Baa dos Porcos  e disparava hormnios na Casa Branca ao mesmo tempo
 
A gua da piscina era mantida a 32 graus (prescrio mdica para as dores nas costas de Kennedy), e quando eles emergiram desse mergulho de estreia ele a convidou para uma visita guiada pelo segundo andar da Casa Branca. 
Dois daiquiris, e ento veio o mergulho sem gua, no quarto de Jacqueline decorado em azul-claro.

LIVRO BOMBA - Mimi conta em seu livro todo o envolvimento que teve com Kennedy:  "Foi tudo sexual"
 
Kennedy gostava da gua, e Mimi lembra que foi numa sesso de hidromassagem que veio  tona a poro voyeur do presidente com quem se relacionou at uma semana antes de ele ser assassinado: Kennedy ordenou-lhe que fizesse sexo oral em Powers (o alcoviteiro da piscina, lembra?) porque ele estava um pouco tenso. Detalhe: o presidente fez questo de ficar olhando a felao. Mimi decidiu contar agora toda a sua histria porque fora citada em uma biografia de Kennedy publicada h dez anos. No conta quanto recebeu para pr na tela do computador e imprimir as suas memrias, mas d para se ter uma ideia, j que um produtor de filmes lhe ofereceu US$ 1 milho pelos direitos. No me arrependo de nada que fiz, escreve Mimi. Nosso relacionamento foi sexual. Quando a coisa esfriou, ela decidiu se casar com um amigo do interior americano e disse adeus ao presidente, que a presenteou com dois broches de ouro e diamante, colares e um bilhete no qual dizia: Calorosa considerao e profunda gratido. Tudo protocolar. Como j foi dito, o presidente no beijava na boca.


3. LIVROS - Um outro olhar sobre o mensalo
Livro do jornalista Paulo Moreira Leite faz uma completa radiografia das investigaes, da denncia e do julgamento daquele que  considerado o maior caso de corrupo do Brasil
Mrio Simas Filho

Mesmo depois de julgado pelo Supremo Tribunal Federal, o chamado processo do mensalo continua a provocar polmicas. Muitos acreditam que as penas impostas a empresrios, banqueiros e  antiga cpula do PT, principalmente ao ex-ministro Jos Dirceu, possam servir como um divisor de guas em relao ao sentimento de impunidade ainda reinante no Pas. Outros definem o processo conduzido pelo ministro Joaquim Barbosa como um atentado ao estado democrtico de direito, falam em ditadura do Judicirio e chegam a assegurar que o desvio de recursos pblicos para compra de parlamentares em troca de sustentao poltica no Legislativo nem sequer existiu. Diante desse antagonismo,  desafiador deixar de lado as paixes polticas e chegar a uma concluso isenta sobre o que realmente significou todo o processo e julgamento da Ao Penal 470. Para quem tem interesse em aceitar esse desafio, o livro A Outra Histria do Mensalo  As Contradies de um Julgamento Poltico, do experiente jornalista Paulo Moreira Leite, diretor da sucursal de ISTO em Braslia,  uma ferramenta da qual no se pode abrir mo.
 
Desde que o esquema de corrupo foi denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson, Moreira Leite acompanha passo a passo o escndalo: os trabalhos da CPI dos Correios, as investigaes da Polcia Federal, a ao do Ministrio Pblico, os embates entre os ministros do STF e as artimanhas dos melhores criminalistas do Brasil. Nada saiu do foco do autor. O jornalista compara seu trabalho no caso ao esforo de um correspondente de guerra que, mesmo sem patente militar, procura compreender e narrar grandes batalhas. Criterioso, contextualizou todos os lances do processo e, com o rigor adquirido ao longo de 40 anos de carreira, conseguiu separar de forma muito clara o que  fato, interpretao e opinio. Assim, o leitor tem todo o instrumental necessrio para firmar sua prpria convico, ainda que essa seja diferente daquela a que chegou o jornalista. Moreira Leite em nenhum momento nega a possibilidade de ter havido corrupo, mas se diz convencido de que  as principais acusaes no se sustentam nas investigaes realizadas e reclama da falta de corruptores no banco dos rus.

ISENO - O livro rene mais de 40 textos que o jornalista publicou em seu blog durante o processo no STF
 
Tratei do mensalo como um jornalista deve tratar suas reportagens, diz Moreira Leite. Observei os fatos com profundidade, curiosidade, desconfiana e independncia. Didtico, com um texto fluente e leitura fcil, A Outra Histria do Mensalo no trata a Ao Penal 470 como um compndio jurdico, embora abra espao para toda a argumentao usada por procuradores, advogados e ministros da mais alta corte de Justia do Pas e at busque referncias e analogias em outros processos que tramitaram no mesmo STF e at nas cortes americanas. O jornalista descreve de forma absolutamente isenta, por exemplo, como o Supremo Tribunal Federal tratou de forma desigual dois casos muito semelhantes: o mensalo e o chamado mensalo mineiro, ou mensalo tucano. O primeiro, com todos os rus julgados no STF, e o ltimo, desmembrado, com parte de seus atores a serem julgados pelas instncias inferiores, ganhando assim maiores possibilidades de futuros recursos. O confronto dos dois casos divide juristas e polticos. A diversidade de opinies est retratada no livro e a concluso do autor tambm. Mas acima de tudo esto colocados os fatos.
 
Perante tanta polmica escancarada ao longo dos quatro meses e 53 sesses do STF, muito se questionou sobre o papel dos ministros, uma vez colocados diante dos elementos colhidos durante sete anos de investigaes. A essa discusso, Moreira Leite agrega uma importante contribuio. O livro relata a experincia de Oliver Wendel Holmes, juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos entre 1902 e 1932 e um dos mais influentes juristas americanos. Ele ensina que  papel dos juzes fazer o possvel para aplicar a lei em vez de tentar fazer justia. Durante sesso da Suprema Corte, cansado da oratria de um jovem advogado que insistia para que os magistrados desconsiderassem o que expressamente dizia a legislao e fizesse justia, Holmes o interrompeu e disse: Este  um tribunal de direito e no uma corte de justia.

" papel dos juzes fazer o possvel para aplicar a lei em vez de tentar fazer justia" - Oliver Wendel Holmes, juiz da Suprema Corte dos EUA entre 1902 e 1932
 
No caso do mensalo, prevaleceu, segundo o jornalista, a tese, muitas vezes verbalizada pelos ministros, de que a Constituio  aquilo que o Supremo diz que ela .
 Ao longo das 350 pginas do livro, Moreira Leite reproduz os 37  artigos que publicou durante o julgamento em seu blog Vamos Combinar, atualmente hospedado no site da revista ISTO. No ar desde 2006, trata-se de um dos mais respeitados blogs de poltica do Pas. Ao longo desses anos, jamais contou com patrocnios pblicos ou privados, o que lhe assegura a independncia necessria para um trabalho isento. No final do livro, Moreira Leite faz uma anlise do que pode representar o julgamento da Ao Penal 470 para os prximos anos. Estar o Pas mais perto de um efetivo combate  corrupo ou estamos diante de uma armadilha que poder desembocar em ditadura do Judicirio? Uma leitura atenta permitir a cada leitor chegar a sua prpria resposta.
 
Lanado na segunda-feira 18 em So Paulo, A Outra Histria do Mensalo j figura nas listas dos livros mais vendidos do Pas. A partir desta semana, o jornalista dar incio a uma srie de lanamentos em diversos Estados. O prximo ser no Rio de Janeiro na segunda-feira 25.


4. EM CARTAZ  TEATRO - O MAIS RENTVEL E O MAIS CARO
por Ivan Claudio

O grito que anuncia o nascimento de O Rei Leo vem ecoando nos palcos de todo o mundo desde 1997 e ganha agora traduo em portugus depois de ter sido vertido para sete lnguas e montado em 15 pases. Com estreia na quinta-feira 28 em So Paulo, o musical narra a trajetria de Simba, o pequeno leo acusado pelo tio de matar o pai, numa histria com referncias a Shakespeare, passagens bblicas e desenhos da Disney. As msicas de Elton John e Tim Rice tm verses de Gilberto Gil. A produo  a mais cara j feita no Brasil, com custo de R$ 50 milhes  o investimento  facilmente explicvel: O Rei Leo desbancou O Fantasma da pera e  o musical mais lucrativo da Broadway, com renda de US$ 854 milhes e bilheteria acumulada de US$ 4,8 bilhes.
 
+5 musicais da Broadway no Brasil
O Fantasma da pera (foto)
 Uma das produes mais bem-sucedidas no Brasil estreou em 2005 e teve mais de 600 apresentaes
 
Les Misrables
 A superproduo estreou em 2001 e revelou nomes como Saulo Vasconcelos, atualmente um dos principais atores-cantores do Pas
 
Sweet Charity
 Estrelado por Claudia Raia e Marcelo Mdici em 2006, era inspirado no filme Noites de Cabria, de Federico Fellini
 
My Fair Lady
 Nos anos 1960, teve Bibi Ferreira e Paulo Autran no elenco. A montagem de 2007 levou mais de 150 mil pessoas ao teatro.
 
Mamma Mia!
 Ainda apresentada na Broadway, a pea, baseada nas msicas do ABBA, estreou em 2010 e ficou um ano em cartaz


5. EM CARTAZ  LIVROS - RETRATOS DO MOMENTO
por Ivan Claudio

Nos 50 contos de ?Instantneos? (Giostri), a escritora Edla van Steen capta imagens do cotidiano e as reduz  sua essncia. Como numa fotografia, registra momentos fugazes que ficam para sempre na memria. O livro, o 27 da autora, sai em duas edies bilngues, uma com traduo para o ingls e outra para o francs. As ilustraes so de autoria de Arriet Chahin.


6. EM CARTAZ  SHOW - UM FESTIVAL COM IDENTIDADE
por Ivan Claudio

Para se firmar na agenda cultural, festivais de rock precisam ter uma identidade e no apresentar apenas uma escalao aleatria de bandas. Em sua segunda edio, o Lollapalooza Brasil (Jockey Club, So Paulo, a partir de 29/3) se confirma como uma vitrine do rock indie, mas volta a se apoiar numa grande atrao que agrada a gregos e troianos  esse  o seu diferencial. Se no ano passado o peso-pesado foi o grupo Foo Fighters, de Dave Grohl, que retornava ao Pas depois de 11 anos, nessa edio quem vai segurar a festa roqueira  a veterana banda Pearl Jam, que traz  capital paulista pela terceira vez o seu som vigoroso que um dia foi chamado de grunge. Com mais de 60 milhes de discos vendidos, o grupo de Eddie Vedder encabea o time de 60 atraes que se apresentaro por trs dias em cinco palcos temticos.


7. EM CARTAZ  TEATRO - AS FALSAS RUGAS DE MAIT 
por Ivan Claudio

Mait Proena  uma artista completa em seu retorno aos palcos. Depois de estrear como autora no premiado espetculo As Meninas, agora ela adaptou o texto, dirige e protagoniza a comdia dramtica  Beira do Abismo me Cresceram Asas (Teatro Leblon, at 28/4). Baseado em depoimentos colhidos em asilos pelo jornalista Fernando Duarte, o texto trata do envelhecimento e da maturidade diante da vida. Com peruca grisalha e maquiagem que cria falsas rugas, Mait vive Terezinha e a atriz Clarisse Derzi Luz interpreta sua amiga Valdina. A direo  dividida com Clarice Niskier.


8. EM CARTAZ  AGENDA - LUIZ/SAMUEL/POLARIDADES
Conhea os destaques da semana
por Ivan Claudio

LUIZ MELODIA
 (Tom Jazz, So Paulo, dia 24/3)]
O msico comemora 40 anos de carreira e apresenta sucessos como ?Prola Negra? e ?Magrelinha?, com trio de cordas
 
SAMUEL FULLER
 (CCBB, So Paulo, at 31/3)
A mostra ?Se Voc Morrer, Eu Te Mato? exibe 24 filmes do cineasta americano, autor de obras como ?Beijo Amargo? e ?Paixes que Alucinam?
 
POLARIDADES
 (MAM, Rio de Janeiro, at 12/5)
Exposio em comemorao aos 65 anos do museu, com 27 obras importantes de seu acervo, assinadas por Jackson Pollock, Josef Albers, Iber Camargo e Ivan Serpa, entre outros


9. EM CARTAZ  CINEMA - A VIDA  UM TEATRO
Ivan Claudio 
Em plena forma aps sete dcadas de carreira, o diretor francs Alain Resnais, um dos pais da nouvelle vague, volta com mais um filme inventivo. Em ?Vocs Ainda No Viram Nada?, ele homenageia o teatro e mostra que a memria, fundamental na criao, est sempre trazendo de volta fantasmas indesejveis. Cumprindo o desejo de um aclamado dramaturgo recm-falecido, os atores de sua pea mais famosa (?Eurdice?) acompanham a nova montagem do espetculo por uma trupe mais jovem. Os astros veteranos relembram suas atuaes ? o que  um show  parte, j que representando a si prprios esto Sabine Azma, Michel Piccoli e Pierre Arditi.


10. ARTES VISUAIS  NARRATIVA PERTURBADORA
Exposio baseada em conceito freudiano cria clima propcio para a apreciao de paisagens ntimas e inusitadas 
Nina Gazire

UNHEIMLICH/ESTRANHAMENTE FAMILIAR/ Instituto Tomie Ohtake, SP/ at 18/4

CONTRASTE - Em "Flautista", luz e brilho de foto so alterados de acordo com a msica
 
Descobrir a razo daquilo que figura diante do olhar como estranho foi o objetivo de Sigmund Freud ao escrever o texto Unheimilch, em 1919. Assim como a palavra saudade, que somente aos falantes da lngua lusitana cabe seu completo entendimento, o termo Unheimlich no possui traduo exata e para ns se aproxima da paradoxal expresso estranhamente familiar. Mas como algo estranho, absurdo e principalmente aliengena  que aparentemente est fora do ser ou de sua esfera habitual  pode ser ao mesmo tempo familiar? Uma das explicaes para o conceito, segundo Freud,  que muitas vezes os encontros que temos com um fato dito estranho se relacionam aos nossos prprios cenrios ntimos soterrados pelo inconsciente ou por processos traumticos.
 
O texto de Freud sempre influenciou profundamente o campo das artes. Desde o surrealismo, o conceito ganha desdobramentos e hoje  tema da exposio Unheimlich/Estranhamente Familiar, que apresenta quatro jovens artistas brasileiros que vm ganhando notoriedade no circuito atual. Este  um tema recorrente na arte contempornea e escolhemos artistas cuja produo vai ao encontro do conceito proposto por Freud, explica Paulo Miyada curador da exposio.

ESTRANHAMENTO - Em "Anima", o artista Thiago Honrio reveste uma caixa transparente com a pele de uma zebra
 
A prtica dada-surrealista dos objet-trouv  objetos encontrados ao acaso e expostos como obra de arte  aparece nos estojos coletados ao redor do mundo por Thiago Honrio. Em sua instalao denominada Prt--Porter, as caixas aveludadas e vazias esto dispostas lado a lado, parafusadas umas s outras. Estranhas tambm so as mquinas criadas pela artista Mariana Manhes que na instalao Ento faz uma espcie de sistema respiratrio sem corpo, no qual diferentes sacos plsticos so inflados ocasionalmente por ventoinhas automatizadas. J na obra O Flautista, a carioca Alice Miceli se apropria do conto escrito pelos Irmos Grimm O Flautista de Hamelin, e, a partir de uma imagem de crianas caminhando, cria uma narrativa perturbadora na medida em que o brilho e contraste da foto so alterados de acordo com o ritmo de uma msica.
 
Os processos de automao das obras so algo que se instaura como metfora para os processos do inconsciente, comenta Miyada. Completa a exposio rbita Espiral, de Rodrigo Matheus, instalao composta de uma espiral feita de pedras colocadas no cho e cercada pela projeo de uma esfera mvel nas paredes que transformam a ltima sala da exposio em um diorama mental, propcio para a apreciao de paisagens ntimas.


11. ARTES VISUAIS  ROTEIROS - CIRCUITOS NO MUNDO
HARUN FAROCKI - Instalaciones Cines/ Fundacin PROA, Buenos Aires/ at 7/4
por Paula Alzugaray

O alemo Harun Farocki  considerado um dos artistas mais radicais da cena atual. A anlise das representaes visuais produzidas pela sociedade contempornea  o tema de seus trabalhos em vdeo. O artista  imbatvel em revelar os discursos de poder implcitos  produo e ao consumo de imagens, desde o incio da histria do cinema at os atuais circuitos digitais, como o videogame ou a internet. Em cartaz na Fundacin PROA, em Buenos Aires, a mostra Instalaciones/Cines configura a primeira exposio individual do artista na Amrica Latina.
 
A mostra traz cinco instalaes realizadas na ltima dcada, centradas em experimentaes com a linguagem cinematogrfica bem como a influncia das tecnologias no olhar humano. Na obra Trabalhadores Saindo de uma Fbrica Durante Onze Dcadas, instalao composta de 12 monitores de tev, Farocki escolhe cenas de cinema que mostram o fim do expediente de trabalhadores tendo como ponto de partida um filme feito pelos irmos Lumire em 1895, considerado um dos primeiros da histria. J Eye / Machine II (foto) utiliza um vasto repertrio de imagens histricas e atuais de guerra. Farocki se apropria de cenas gravadas por cmeras acopladas em msseis e simulaes blicas realizadas por computador. Em duas telas, o artista contrape as imagens virtuais s reais, registrando o modo como as tecnologias acabam transformando o olhar em uma mquina para a guerra.

